O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, se tornou o protagonista de uma história inusitada ao viajar cerca de 2.100 quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, em busca de um encontro com a suposta pretendente, Jéssica Oliveira. No entanto, ao chegar, ele descobriu que a mulher era, na verdade, uma personagem criada por inteligência artificial (IA).
O perfil de Jéssica, que acumula mais de 300 mil seguidores no TikTok, apresenta a personagem como uma fazendeira solitária em busca de um companheiro. Em vídeos, ela promete uma vida confortável e até oferece sustento financeiro aos pretendentes, incentivando-os a abandonarem seus empregos para viver com ela em sua propriedade rural. “Quero que você venha pra cá pra viver vida de rei. Olha o tamanho dessa fazenda que vai ser sua”, afirma Jéssica em uma das gravações.
Além de suas promessas de relacionamento, a personagem aparece em vídeos promocionais de produtos de diversas marcas. Em uma publicação, ela menciona um produto masculino, destacando que isso aumenta seu interesse por homens. As marcas citadas ainda não se pronunciaram sobre o caso.
Após a repercussão da história, a responsável pelo perfil fez um vídeo esclarecendo que Jéssica não é uma mulher real, mas uma criação de IA destinada a gerar engajamento e impulsionar vendas. “Sou feita de inteligência artificial. Nunca conversei com ninguém nesse perfil. O intuito foi ganhar engajamento para vendas”, declarou. Ela também negou ter interagido diretamente com Edimar e alertou os seguidores sobre possíveis fraudes envolvendo sua imagem.
O caso levanta questões sobre a regulamentação do uso de IA no Brasil. Atualmente, o Projeto de Lei 2.338/2023, que propõe um marco legal para a inteligência artificial, está em análise na Câmara dos Deputados. O projeto visa classificar os sistemas de IA conforme seus níveis de risco e prevê sanções para uso indevido.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Edimar compartilhou que mantinha contato com a personagem virtual por meio de redes sociais, incluindo Kwai e Facebook. Ele acreditava que poderia construir uma vida ao lado dela, tendo sido convencido por promessas de um relacionamento. “Ela falou assim: ‘Você vai morar aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’”, relatou.
Ao chegar em Belo Horizonte, Edimar percebeu que a mulher dos vídeos não existia. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não encontrou registros de ocorrência relacionados ao caso, esclarecendo que criar personagens fictícios com IA não é crime, mas o uso dessa tecnologia para enganar pessoas pode configurar estelionato ou fraude eletrônica, dependendo das circunstâncias.
A corporação orientou que pessoas que suspeitem de fraudes procurem uma unidade policial ou registrem um boletim de ocorrência pela delegacia virtual, além de preservar evidências digitais e confirmar a identidade de pessoas conhecidas pela internet antes de realizar viagens ou transferências financeiras.



