A Justiça do Ceará decidiu arquivar o caso da morte de Isabelle Caracristi, ocorrida em 13 de setembro, devido à falta de provas. A determinação foi assinada na terça-feira (20) pela 5ª Vara do Júri de Fortaleza, o que significa que João Munhoz Neto, principal suspeito, deixa de ser acusado de feminicídio e indução ao suicídio.
Segundo informações do g1, a decisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE). O juiz Wyrllenson Flavio Barbosa Soares declarou que “o conjunto probatório carreado aos autos demonstra a ausência de justa causa para a deflagração de persecução penal por crime doloso contra a vida”. O processo será encaminhado aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Fortaleza, e João continuará em liberdade, utilizando tornozeleira eletrônica.
Isabelle, de 22 anos, foi encontrada morta em um condomínio na área nobre de Fortaleza. A investigação da Polícia Civil incluiu 17 laudos periciais e concluiu que a causa da morte foi uma “precipitação voluntária”. No entanto, o MP alega que não foram encontrados elementos que provassem a intenção de matar ou a assunção consciente do risco de que a jovem se suicidasse, por parte de João.
O MP enfatizou: “Inexiste prova testemunhal, documental, pericial ou material capaz de demonstrar que ele tenha, de forma deliberada, consciente ou simulada, concebido, executado ou participado de qualquer plano destinado a induzir, instigar ou auxiliar a vítima na prática do ato suicida”. A análise das evidências revelou que não era possível estabelecer um nexo causal relevante entre a conduta de João e a morte de Isabelle.
A defesa de João Munhoz Neto comemorou o arquivamento do caso. A advogada Lígia Peixe afirmou que a decisão judicial confirma a inocência do cliente em relação às acusações mais graves, e a defesa continuará trabalhando para demonstrar sua inocência com base nas provas e elementos técnicos disponíveis.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, havia mencionado nas redes sociais que o relacionamento da filha era marcado por abusos psicológicos, o que adiciona um contexto complexo à tragédia. Após sua prisão em 22 de setembro, João ficou detido por cerca de 10 dias antes de ser solto no dia 1º de outubro, sob medidas cautelares que incluíam distanciamento dos familiares da vítima e a proibição de se ausentar da comarca.



