Após 54 anos como um dos principais intérpretes da Beija-Flor, Neguinho da Beija-Flor anunciou sua saída do Carnaval carioca. Em entrevista ao Metrópoles, o cantor de 77 anos compartilhou os motivos por trás de sua decisão e refletiu sobre seu último desfile, que não foi como esperava.
Neguinho revelou que a escolha de deixar a Beija-Flor foi pessoal, pois sentiu que era o momento de “passar o microfone para a próxima geração”. Ele participou do desfile de 2026 na condição de baluarte da escola, um título que simboliza uma “memória viva” da agremiação. No entanto, a experiência não foi satisfatória para o artista.
“Não foi legal. Eu me senti meio desconfortável. Desfilei com uma faixa de baluarte, mas confesso que não me senti muito bem. Tanto é que no Desfile das Campeãs, eu não desfilei, porque honestamente não me senti legal”, admitiu.
Quando questionado sobre um possível retorno aos desfiles, Neguinho foi firme: “Carnaval, desfile das escolas de samba, já foi. É uma decisão que a gente tomou para sempre”. Apesar do desconforto, ele expressou satisfação por ter deixado a função no auge, sem ser afastado por questões adversas.
“Fui o único a sair campeão. Sou o primeiro intérprete que passou o microfone. Os outros saíram por falecimento, doença ou foram mandados embora”, avaliou o sambista, que agora se dedica a sua carreira solo e prepara uma turnê pelo Brasil.
Atualmente, Neguinho estreia o espetáculo “Neguinho da Beija-Flor Canta Sua História” no Rio de Janeiro, com planos de passar por São Paulo, Manaus e outros estados. Além disso, será homenageado na peça musical “O Neguinho da Beija-Flor”, que retrata sua trajetória. “Às vezes, me belisco para ver se é real essa homenagem. Nunca pensei que teria minha história representada no teatro. Está emocionante”, comemorou.



