A morte da atriz Lua Blanco, aos 39 anos, em decorrência de um câncer de intestino, trouxe à tona a necessidade urgente de atenção para os sinais silenciosos dessa doença, que frequentemente evolui sem manifestações evidentes. Em entrevista ao portal LeoDias, o coloproctologista Alexandre Nishimura explicou o motivo pelo qual muitos pacientes só descobrem o câncer em estágios avançados.
Por que o câncer de intestino é silencioso?
O câncer colorretal pode se desenvolver na camada interna do intestino sem causar alterações imediatas em sua função. Durante essa fase inicial, o tumor é pequeno e pode não provocar sintomas perceptíveis, permitindo que o paciente mantenha sua rotina sem perceber a gravidade da situação.
Além disso, sangramentos podem ocorrer em quantidades tão pequenas que não são visíveis nas fezes, o que torna ainda mais difícil a identificação da doença. “Sentir-se bem não substitui a necessidade de realizar o rastreamento no momento indicado”, enfatizou Nishimura, ressaltando a importância de procurar sinais antes que se tornem evidentes.
Fatores que contribuem para o diagnóstico tardio
O médico aponta que não há uma única razão para que o câncer de intestino seja diagnosticado tardiamente. Fatores como a confusão de sintomas com problemas comuns, a hesitação em buscar atendimento médico, e a crença de que a doença só afeta pessoas mais velhas podem atrasar o diagnóstico. “É uma combinação de fatores que inclui a ausência de sintomas no início e a interpretação equivocada dos sinais”, explicou.
Sinais de alerta frequentemente ignorados
Entre os sinais que devem ser observados estão: sangue nas fezes, diarreia ou constipação persistentes, mudanças nos hábitos intestinais, sensação de evacuação incompleta e perda de peso inexplicada. Nishimura alerta que a anemia por deficiência de ferro, que pode causar cansaço e palidez, também pode ser um sinal da doença, mesmo sem hemorragias visíveis.
Embora esses sintomas não signifiquem necessariamente câncer, eles precisam ser investigados, especialmente se forem novos ou persistentes. “Sangue nas fezes não significa automaticamente câncer, mas deve ter sua causa esclarecida”, disse o especialista.
A importância do rastreamento
O câncer colorretal pode se desenvolver a partir de pólipos, que são pequenos crescimentos na parede interna do intestino. A colonoscopia é uma ferramenta eficaz para examinar o intestino e remover pólipos quando necessário. O teste imunoquímico fecal (FIT) também é uma opção para detectar sangue nas fezes.
A idade recomendada para iniciar o rastreamento varia, mas diretrizes internacionais sugerem que pessoas com risco habitual comecem aos 45 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o uso do FIT para aqueles entre 50 e 75 anos.
Diagnóstico precoce e chances de cura
Identificar o câncer em estágios iniciais é crucial para aumentar as chances de tratamento efetivo. Dados de estudos americanos indicam que a taxa de sobrevida em cinco anos chega a 90% quando a doença é detectada precocemente. O médico finalizou sua mensagem enfatizando: “A prevenção é a melhor escolha. Investigar um sinal de alerta não deve ser adiado”.



