Uma jovem de 28 anos, Júlia Rimoli, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após sofrer um traumatismo cranioencefálico durante um passeio na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, em Vinhedo, São Paulo. O incidente ocorreu em abril e foi detalhado pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (20/09).
Durante a visita ao parque, Júlia estava acompanhada de seu companheiro, João Pedro Bossoni, quando passou mal durante a atração. Imagens das câmeras de segurança mostram a jovem consciente durante a subida, mas não há registros do restante do trajeto. Quando o carrinho retornou à plataforma, Júlia estava desacordada e apresentava convulsões. Ela recebeu atendimento imediato dos funcionários do parque e foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Os exames médicos revelaram hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral, levando a jovem a passar por uma craniectomia descompressiva, que consiste na remoção temporária de parte do crânio para aliviar a pressão causada pelo inchaço do cérebro. Júlia ficou internada por 57 dias, e o diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico.
De acordo com o neurocirurgião Victor Batistela, o trauma ocorreu devido a um mecanismo de contragolpe durante os movimentos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça na montanha-russa, o que pode provocar a ruptura de vasos sanguíneos e resultar em hemorragia.
A família de Júlia informou que ela já passou por sete cirurgias e continua em reabilitação, enfrentando a perda completa dos movimentos do braço e da perna esquerdos, além de dificuldades de fala e alterações de memória. João Pedro e a mãe de Júlia se revezam nos cuidados, enquanto a jovem participa de sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do acidente, solicitando uma perícia na montanha-russa. A família também recorreu à Justiça para obter mais esclarecimentos sobre as causas do trauma. O caso ainda está em andamento.
Outros relatos de incidentes na Montezum foram apresentados, incluindo o de Nathalia Assenjo Motta, que em 2018 sofreu um deslocamento de vértebras cervicais e passou por cirurgia. Em 2014, um motoboy chamado Márcio ficou tetraplégico após um acidente na atração e faleceu em 2023 devido a complicações de saúde.
O Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional e passa por inspeções anuais, além de seguir normas brasileiras para parques de diversões. O parque também declarou que mantém avisos sobre as características da atração e que as despesas relacionadas à internação de Júlia foram custeadas por eles, com um seguro disponibilizado à família. Em relação à investigação, um parecer do Ministério Público de agosto de 2026 não identificou risco coletivo ou negligência na operação da montanha-russa, embora o procedimento relacionado ao caso de Júlia permaneça em andamento.



