O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola foram condenados a pagar R$ 20 milhões em indenização por danos morais coletivos devido a abusos sexuais ocorridos em Abadiânia, Goiás. A decisão foi proferida na terça-feira (6) pelo juiz André Luiz Figueiredo Ligório, do Tribunal de Justiça de Goiás.
A sentença determina que o valor da indenização seja destinado a fundos públicos para políticas de proteção e apoio a mulheres vítimas de violência sexual, com acréscimo de correção monetária e juros desde dezembro de 2018. Para garantir o pagamento, a Justiça manteve o bloqueio judicial sobre a Fazenda Agropastoril Dom Inácio, avaliada em R$ 41 milhões.
Essa condenação é resultado de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que estabeleceu uma conexão entre os abusos sexuais e a estrutura de atendimentos do centro espírita. João de Deus já havia sido condenado a 19 anos de prisão por crimes de estupro e estupro de vulnerável.
A defesa do médium afirmou, em nota ao g1, que a decisão não reflete a realidade dos fatos e anunciou a intenção de recorrer. “A decisão não reflete a realidade dos fatos, que foi desconstruída por várias absolvições ao longo desses oito anos, além do conjunto de provas apresentadas”, declarou a defesa, expressando confiança em uma revisão da decisão nas instâncias superiores.
O juiz Ligório refutou a alegação da defesa de que os abusos teriam sido atos isolados, ressaltando que a entidade e João de Deus se confundiam em sua imagem pública. Ele destacou que o médium utilizava a infraestrutura do centro e a credibilidade da instituição para cometer as violações sob o pretexto de atendimentos espirituais.
Mais de 300 mulheres relataram abusos cometidos por João de Deus, cujas denúncias emergiram em dezembro de 2018. Apesar de muitos casos estarem prescritos, o médium foi condenado em diversos processos relacionados a estupros e violações sexuais, totalizando 215 anos de prisão até o momento. Atualmente, João de Deus cumpre pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, após ter iniciado sua detenção em 2018.



