Nesta quarta-feira (9), a Interpol anunciou a disponibilização de recursos de cooperação internacional para auxiliar nas buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, Maranhão. A informação foi confirmada pela advogada da família, Nathaly Moraes, através de suas redes sociais.
A colaboração da Interpol foi comunicada à família por meio do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, após uma operação realizada nos Estados Unidos que resultou no resgate de 163 crianças desaparecidas. Contudo, a disponibilização dos recursos não implica que Ágatha e Allan tenham sido encontrados ou que estejam fora do Brasil.
Clarice Cardoso, mãe das crianças, participou de uma reunião com representantes da Polícia Federal em São Luís, onde foram discutidas as maneiras de aplicar os mecanismos oferecidos pela Interpol na investigação do desaparecimento. “Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar”, declarou Nathaly Moraes.
As ferramentas da Interpol podem ser utilizadas em buscas internacionais e, caso as crianças sejam localizadas fora do Brasil, em procedimentos para a repatriação. A advogada expressou otimismo em relação ao apoio internacional: “Isso deixou a gente extremamente animado”, disse.
A possibilidade de envolvimento da Interpol já havia sido considerada pela defesa da família, que solicitou que a investigação fosse transferida da Polícia Civil para a Polícia Federal, alegando suspeitas de tráfico humano. Inicialmente, o pedido foi arquivado por falta de indícios suficientes, mas a situação mudou com a nova cooperação.
Além disso, autoridades solicitaram a coleta de material genético da mãe para comparação com o DNA de uma criança encontrada nos EUA. O material será encaminhado ao Instituto Nacional de Criminalística em Brasília. Em coletiva, Clarice expressou confiança em encontrar os filhos vivos, mencionando sua intuição de mãe sobre o estado das crianças.
Apesar das novas frentes de investigação, a Polícia Civil do Maranhão afirmou que não recebeu pedidos de cooperação internacional relacionados ao caso. O delegado-geral, Augusto Barros, esclareceu que não há ligação entre o desaparecimento dos irmãos e a operação realizada nos EUA.
O desaparecimento de Ágatha e Allan mobilizou a comunidade e autoridades, incluindo uma visita de representantes do Congresso Nacional à região. As buscas continuam sob a supervisão da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, que reforçou a importância de qualquer informação que possa ajudar na localização das crianças.
A Secretaria também orientou que informações relevantes sejam repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia, sem necessidade de identificação.


