A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) suspendeu os registros de quatro imóveis do advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Entre as propriedades está uma que está no centro de uma disputa judicial com o jogador Richarlison, atacante do Tottenham. A informação foi divulgada pelo g1 nesta sexta-feira (6).
A decisão da SPU, vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, visa impedir possíveis transferências de posse dos terrenos enquanto investiga irregularidades no processo de autorização de ocupação por parte de Willer Tomaz. Segundo a secretaria, “a suspensão temporária visa restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas”.
Um aspecto que chamou a atenção das autoridades é a velocidade com que a solicitação para a ocupação do terreno foi processada. A autorização foi concedida menos de duas horas após a apresentação da solicitação, feita às 11h33 do dia 11 de julho de 2022.
Willer Tomaz está sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, em um caso que também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A investigação examina a possível relação entre os dois em movimentações financeiras suspeitas.
Além das quatro propriedades com registros suspensos, um levantamento revelou que Willer Tomaz possui outras cinco casas na região de Angra dos Reis. As aquisições ocorreram entre 2021 e 2022, período em que Flávio Bolsonaro apresentou um projeto de lei no Senado para estimular empreendimentos na área, permitindo a municipalização de unidades de conservação federais e estaduais.
Os imóveis identificados na Ilha Comprida incluem áreas de 175,2 mil m², 32,8 mil m², 181,8 mil m² e 2,1 mil m², adquiridos pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens por valores que variam de R$ 2,1 milhões a R$ 6 milhões. O último deles é o imóvel em disputa com Richarlison.
A disputa entre Richarlison e Willer Tomaz começou em 2020, quando o jogador investiu R$ 10 milhões na compra de uma mansão na região. Richarlison alega que Flávio Bolsonaro tentou intervir na venda, e que o senador se aliou a Tomaz para contestar seus direitos sobre a propriedade. Embora Flávio tenha visitado a propriedade, ele nega envolvimento na disputa, enquanto Tomaz afirma que adquiriu legalmente os direitos de ocupação.
O caso ganhou notoriedade durante as eleições, quando Richarlison levantou questões sobre a amizade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, sugerindo que isso influenciava a disputa judicial.



