Uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL), onde se autodeclara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” após a derrota nas eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gerou polêmica ao ser divulgada com um brasão que trazia a grafia incorreta “Brazil”, com Z. O documento circulou em duas versões na quarta-feira (28) e a primeira publicação foi rapidamente removida.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o brasão da versão inicial da carta apresentava a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, datada de 15 de novembro de 1889. Após a repercussão, uma nova versão foi compartilhada pelos aliados de Flávio nos Estados Unidos, corrigindo a grafia para “Brasil”, que é a forma oficial adotada desde 1931, durante o governo de Getúlio Vargas.
A carta foi divulgada por aliados da família Bolsonaro, incluindo o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula. Na versão original, Flávio se identificava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter perdido a eleição por uma margem de cerca de 4,4 milhões de votos. Na versão revisada, ele passou a se apresentar como “líder do Brasil”, mas manteve as acusações de fraude eleitoral e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), sem apresentar evidências que sustentassem suas alegações.
Na carta, Flávio questiona o resultado da eleição realizada no dia 25 de outubro, alegando irregularidades no processo eleitoral, e acusa integrantes do Judiciário de perseguição política. Ele anunciou sua intenção de liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e agradeceu publicamente ao ex-presidente norte-americano Donald Trump e ao presidente argentino Javier Milei por seu apoio.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na quarta-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas, após atravessar a fronteira com a Argentina. Ele viajou em um jatinho particular, apesar de uma decisão judicial que o proibia de deixar o país e exigia a entrega de seus passaportes.
Atualmente, o senador enfrenta três inquéritos no STF. Um investiga suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, outro apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro relacionados a sua relação com o advogado Willer Tomaz, e o terceiro investiga uma possível calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma publicação nas redes sociais.



