Durante a transmissão ao vivo do programa “Estúdio i” na GloboNews, na quinta-feira (8), a jornalista Flávia Oliveira não conteve as lágrimas ao ouvir o relato da deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa (PT), sobre as ameaças de morte e ataques racistas que ela tem enfrentado desde as eleições do último domingo (4).
Com apenas 21 anos, Ana Elisa se tornou a mulher mais votada para a Câmara Federal em Minas Gerais e, ao responder perguntas de Flávia, descreveu o impacto dos comentários odiosos que recebeu. “O sonho destas pessoas é que nem eu, nem você, nem nenhum brasileiro que está tendo o direito de nos escutar aqui hoje, estivéssemos aqui. O sonho deles é que nós estivéssemos agora no pelourinho”, afirmou a jovem, que também destacou a força para continuar sua luta política.
“Eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, acrescentou Ana Elisa, que enfatizou que as ameaças não a paralisam. “Sou a primeira mulher negra, em 200 anos de Câmara, a chegar à Câmara com 21 anos. Mesmo que isso custe uma retaliação contra a minha vida, eu sei que eu vivi coisas que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade de viver”, disse a deputada, demonstrando resiliência em meio a um cenário desafiador.
A deputada também expressou seus medos em relação às ameaças que recebe, mas reafirmou seu compromisso com a política. “É óbvio que eu temo pela minha vida, mas eu vivo um dia de cada vez. Tenho certeza que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade nem de falar, quanto mais chegar na Câmara dos Deputados Federais”, declarou.
Flávia Oliveira, visivelmente emocionada, ouviu atentamente Ana Elisa, que falou sobre a percepção equivocada que existe em relação à juventude. “As pessoas têm a percepção de que a nossa geração é desinteressada, mas, pelo contrário, a juventude gosta muito de aprender. Temos hoje o objetivo de transmitir essa mensagem”, afirmou.
Ana Elisa ainda manifestou o desejo de inspirar mais jovens a se engajar na política: “Sou a primeira mulher negra da Câmara, eleita em 200 anos aos 21 anos? Sou, mas eu quero que, daqui a quatro anos, eu tenha conseguido formar um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos na Câmara dos Deputados Federais”, enfatizou.
A deputada revelou que está sofrendo ataques coordenados desde que começou a apoiar a campanha do presidente Lula. “Desde ontem, estamos sofrendo um ataque coordenado. A extrema direita não estaria fazendo isso se não achasse que podemos mudar esse jogo”, desabafou, alertando sobre a gravidade da situação.
O momento emocionante da entrevista repercutiu nas redes sociais, evidenciando a importância da discussão sobre racismo e violência política no Brasil.



