A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos foi exposta em detalhes pelo programa “Fantástico” neste domingo (1º). Segundo a reportagem, o nome do político apareceu no sistema de imigração argentino com três documentos diferentes em um intervalo de apenas 34 minutos, mas dois desses registros foram cancelados.
A primeira entrada de Flávio na Argentina ocorreu às 22h37, utilizando um passaporte italiano. Três minutos depois, às 22h40, um novo registro foi feito com uma carteira de motorista, seguido por outro às 23h11, com um passaporte brasileiro. Os dois últimos registros foram cancelados, enquanto a entrada com o passaporte italiano permaneceu válida.
O programa também revelou que esses registros estavam associados a uma van que transportava Fernanda, esposa de Flávio, e suas duas filhas. Elas desembarcaram em Cascavel, Paraná, e seguiram até a fronteira com a Argentina. A empresa responsável pelo transporte, Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., negou ter transportado o senador. Intrigantemente, o endereço cadastrado pela agência na Receita Federal corresponde a um estacionamento que, segundo funcionários, nunca funcionou como tal.
Embora os registros na fronteira tenham sido encontrados, a principal linha de investigação sugere que Flávio chegou à Argentina de avião. Ele teria saído de Brasília às 5h05 do dia 27 de outubro em um jato Cessna Citation Excel, pousando em San Fernando, Buenos Aires, às 8h40, antes de seguir para Puerto Iguazú. A família o teria alcançado posteriormente.
Além disso, o programa identificou uma segunda van que cruzou a fronteira minutos antes da van da família Bolsonaro, transportando o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy, que é apontado como ex-oficial de inteligência de Israel.
Deputada argentina cobra explicações
Após a repercussão sobre a fuga, a deputada argentina Marcela Pagano exigiu explicações das autoridades locais. Ela destacou irregularidades na passagem pelo controle de imigração e a escolta policial envolvida. O secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, afirmou que o governo não irá se manifestar sobre o caso.
Custo da fuga e declarações de Trump
O empresário argentino Luis Grande, da Baires Fly, revelou que a fuga do senador custou cerca de US$ 150 mil (aproximadamente R$ 815 mil). Segundo Grande, o valor foi transferido por um intermediário do setor de aviação. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, desmentiu que o governo americano tenha facilitado a saída de Flávio do Brasil.
Flávio Bolsonaro, antes da exibição da matéria, se manifestou nas redes sociais, defendendo-se e alegando que é alvo de perseguição. Em seu pronunciamento, ele expressou que não se arrepende de sua decisão de deixar o Brasil e criticou a cobertura da mídia, afirmando que não teve direito de resposta.
O senador chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28), acompanhado pela família, após a fuga pela fronteira com a Argentina. Ele havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, mas não cumpriu a ordem, resultando na suspensão dos documentos.
Com investigações em andamento sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, Flávio permanece sob scrutinização, apesar de negar qualquer irregularidade. O desdobramento deste caso segue sendo objeto de atenção tanto no Brasil quanto no exterior.



