Famílias que buscaram a médium Máira Rocha em busca de mensagens de entes falecidos alegam ter sido vítimas de fraudes. As acusações surgiram após a descoberta de que informações presentes nas cartas psicografadas poderiam ser facilmente encontradas na internet. As denúncias incluem estelionato, charlatanismo e ameaças, e estão sendo investigadas pela polícia.
A empresária Marina Escames procurou Máira após a morte de seu marido, Thiago, devido a leucemia. Ela, que se considera espírita kardecista, desejava uma mensagem dele. No entanto, Marina constatou que detalhes da psicografia, como expressões utilizadas por Thiago e referências a uma tatuagem, estavam disponíveis em suas redes sociais, levantando suspeitas sobre a autenticidade da mensagem.
Outro caso é o da comerciante Marcela Magalhães, que também recorreu à médium após a morte de seu filho, Henrique, em um acidente. Durante uma sessão, Máira mencionou Henrique como um jogador de futebol, informação que a família descobriu ter sido divulgada em uma reportagem que utilizou fotos do jovem em seu uniforme esportivo. Para Marcela, isso reforçou a ideia de que a médium poderia estar coletando dados de fontes públicas antes das sessões.
Marina relatou ainda que o centro dirigido por Máira exigia informações pessoais das famílias antes das sessões, incluindo nome completo e CPF dos participantes. Pedro Camilo, um pesquisador espírita, alertou que esse procedimento poderia facilitar a coleta de dados sobre os falecidos, permitindo a elaboração de perfis com informações disponíveis na internet.
As denúncias contra Máira Rocha não param por aí. Outras famílias relataram erros e inconsistências nas cartas, como a de Diva Mascarenhas Borges, que questionou a precisão de informações sobre sua família. A Federação Espírita do Distrito Federal também recebeu relatos semelhantes, onde pessoas em luto descobriram que as mensagens não eram genuínas.
O impacto psicológico dessas supostas fraudes pode ser devastador. O psicólogo Everton Maraldi destacou que a busca por consolo pode levar as pessoas a questionarem suas crenças, prejudicando sua saúde mental. O advogado criminalista Luiz Henrique Machado explicou que a utilização de informações públicas para criar mensagens psicografadas pode, em tese, configurar estelionato.
Máira Rocha, por sua vez, defendeu-se publicamente, afirmando que as acusações são infundadas e sugerindo que as pessoas que a criticam devem ter certeza de suas próprias histórias antes de fazer comentários. Apesar das denúncias, pesquisadores ressaltam que existem estudos sobre psicografia realizados sob critérios rigorosos, que buscam garantir a autenticidade e transparência do processo.
Até o fechamento desta reportagem, Máira Rocha não havia aceitado dar entrevistas para responder às acusações.



