A família de Isabelle Caracristi, jovem de 22 anos que morreu em um prédio em Fortaleza, expressou sua indignação e exigiu “respostas claras” do Estado após a conclusão da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), que caracterizou a queda como ‘voluntária’. O comunicado foi divulgado na noite de quarta-feira (23), e os familiares ressaltaram que ainda há muitas lacunas sobre o que realmente ocorreu.
A nota da família enfatizou que a memória de Isabelle “merece respeito” e que a busca pela verdade é um direito inalienável da família e da sociedade. “Ainda faltam muitas respostas. A busca pela verdade não é uma concessão: é um dever do Estado”, afirmaram. O texto também expressou “dor” e “indignação” diante das afirmações das autoridades, considerando as lacunas existentes como “feridas abertas” que alimentam a dor da perda.
“Cada dia sem respostas claras é uma violência continuada. É uma afronta à memória da vítima e um desrespeito ao direito fundamental à elucidação cabal dos fatos”, disseram os familiares, garantindo que sua cobrança por justiça continuará firme e inabalável até que todas as perguntas sejam respondidas.
A conclusão da Pefoce, apresentada em coletiva de imprensa, indicou que Isabelle caiu do rooftop do prédio em uma “precipitação voluntária”, corroborada por imagens de câmeras de segurança. O perito Júlio Torres afirmou que a queda foi em posição vertical, mas a investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias e possíveis envolvimentos de terceiros.
Isabelle estava em um relacionamento com João Munhoz Neto, com quem começou a namorar em julho. Durante o mês anterior à sua morte, ela fez relatos a familiares sobre abusos. Duas horas antes do incidente, enviou um áudio de 16 minutos ao primo, mencionando uma discussão e alegando que estava sendo ameaçada, além de afirmar que se algo acontecesse com ela, João seria o responsável. Ele foi preso preventivamente na terça-feira (22) e está sendo investigado por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, violência psicológica e obstrução da Justiça. Atualmente, João se encontra na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UP-TOC), em Aquiraz.



