O governo dos Estados Unidos solicitou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que removesse de sua carta de pronunciamento a declaração em que se autodenominava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A informação foi revelada por colunistas, incluindo Mariana Sanches, do UOL, e Valdo Cruz, comentarista da GloboNews.
A mudança foi motivada por preocupações de Washington, que temia que essa afirmação pudesse ser interpretada como um reconhecimento oficial dos EUA à autoproclamação de Flávio, o que comprometeria as relações diplomáticas com o governo brasileiro.
De acordo com assessores do Departamento de Estado americano, a declaração poderia ser vista como um sinal de que os Estados Unidos legitimaram a posição de Flávio Bolsonaro. Diplomatas confirmaram que a alteração no texto ocorreu após o governo do ex-presidente Donald Trump tomar conhecimento do conteúdo da carta.
Embora aliados de Flávio tenham afirmado que a mudança foi apenas um ajuste, a administração americana enfatizou que a concessão de visto humanitário ao senador e sua família não implicava reconhecimento de sua autoproclamação.
Trump, ao ser questionado sobre a declaração de Flávio, evitou comentar diretamente, mas fez críticas ao tratamento dado à família Bolsonaro após as eleições. Ele descreveu a eleição no Brasil como “muito estranha” e “vergonhosa”, mas não se posicionou publicamente sobre quem, para ele, teria vencido o pleito.
O que mudou na carta de Flávio Bolsonaro?
Na versão original da carta, Flávio se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e questionava os resultados da eleição, alegando fraudes sem apresentar evidências. Essa versão foi rapidamente substituída, removendo as expressões “verdadeiro presidente eleito” e “presidente eleito”, trocando-as por “líder do Brasil” e “líder”.
A nova carta expressava agradecimentos a Trump e ao presidente argentino Javier Milei, afirmando que Flávio e sua família estavam em segurança nos Estados Unidos e que ele não havia fugido do Brasil. O documento ainda reiterava sua intenção de se dirigir regularmente aos brasileiros e de apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição.
Outra alteração significativa foi a modificação no brasão utilizado na carta. Na versão original, aparecia a inscrição “Estados Unidos do Brazil” com data de 15 de novembro de 1889, que foi substituída pelo atual brasão da república federativa brasileira.
Cancelamento de coletiva de imprensa
A coletiva de imprensa agendada para que Flávio Bolsonaro apresentasse suas intenções nos EUA foi cancelada, após a divulgação da carta. Uma declaração de três páginas foi enviada aos veículos de comunicação, onde a primeira versão da declaração foi rapidamente alterada.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia confirmado a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com uma vantagem de 4,43 milhões de votos sobre Flávio, que, apesar de questionar o resultado, teve sua posição reconhecida pelo PL, partido que representa.



