A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou novamente a Justiça contra o apresentador Ratinho, desta vez por declarações consideradas transfóbicas feitas durante uma entrevista ao podcast “Papagaio Falante”, publicada em 2 de setembro de 2026. Na conversa, Ratinho afirmou que a deputada “não é mulher”, o que motivou a parlamentar a apresentar uma representação ao Ministério Público.
Esta é a segunda vez que Erika Hilton recorre às autoridades contra Ratinho em decorrência de ataques relacionados à sua identidade de gênero. Na nova representação, a deputada solicita a abertura de uma investigação por transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Ela argumenta que as declarações do apresentador não são um caso isolado e que ele a atacou novamente, mesmo após medidas judiciais anteriores.
Durante a entrevista, Ratinho questionou a legitimidade de Erika para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, afirmando que “a comissão da mulher tem que ser presidida por uma mulher que tenha útero”. Ele declarou: “Só existem dois gêneros: masculino e feminino. Não queira inventar uma outra história, que não existe.”
Além disso, Ratinho se referiu à deputada pelo seu nome de registro, reforçando a sua posição. Para Erika, essas afirmações representam uma intensificação dos ataques, pois o apresentador negou sua identidade de gênero. A deputada ressalta que decisões judiciais já reconheceram que o uso de seu nome de registro e o tratamento incompatível com sua identidade configuram transfobia.
Ela ainda sustenta que a liberdade de expressão não ampara manifestações discriminatórias e pede que o Ministério Público investigue os possíveis crimes relacionados às declarações de Ratinho.
Erika Hilton já havia tomado medidas legais contra o apresentador após outras declarações transfóbicas, resultando em uma decisão que concedeu a ela o direito de resposta no “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT. A parlamentar acredita que a repetição dessas declarações, mesmo após decisões judiciais anteriores, destaca a necessidade de responsabilização para evitar a normalização da violência contra pessoas trans e travestis no debate público.
O conflito entre Erika Hilton e Ratinho se intensificou no início de 2026, quando o apresentador começou a criticá-la publicamente em seu programa. Em março, Erika processou Ratinho por transfobia e pediu R$ 10 milhões em indenização, além de solicitar a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias junto ao Ministério das Comunicações.



