A endometriose, uma das doenças mais subdiagnosticadas entre as mulheres, afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Muitas delas convivem durante anos com dores intensas sem compreender a origem dos sintomas. Para tornar essa condição mais acessível, o ginecologista Dr. Igor Chiminacio criou a “Teoria do Polvo”, um modelo anatômico inovador que tem atraído a atenção de médicos e pacientes.
Nessa teoria, o útero é representado como a cabeça de um polvo, enquanto os tecidos que o sustentam, conhecidos como paramétrios, funcionam como tentáculos. Segundo Chiminacio, é nesses tecidos de sustentação que a endometriose frequentemente se desenvolve. Ele explica: “Durante muitos anos, a doença foi abordada apenas a partir dos focos visíveis, mas o problema vai muito além. O tecido onde esses focos surgem é o que transmite a dor para nervos, músculos e outras estruturas da pelve. Quando a paciente compreende esse conceito, ela entende por que sente dor em lugares tão variados.”
Compreensão ampliada da dor
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas mulheres é conectar sintomas aparentemente desconectados à endometriose. Muitas vezes, dores nas costas, na lombar, virilha, pernas e até durante atividades sexuais são investigadas por diversos especialistas antes que alguém considere a doença. A “Teoria do Polvo” ajuda a elucidar que o útero não está “solto” dentro do corpo, mas sustentado por estruturas ricas em colágeno que envolvem vasos sanguíneos e nervos. Quando esses tecidos são afetados pela endometriose, a dor pode irradiar para diferentes regiões do corpo.
Chiminacio destaca que a proposta não substitui o conhecimento médico existente, mas traduz conceitos anatômicos complexos em uma linguagem mais acessível para pacientes e profissionais. “Quando a mulher entende a origem da dor, ela consegue descrever melhor seus sintomas, o que pode ajudar no raciocínio clínico e contribuir para um diagnóstico mais precoce”, afirma o médico.
Impacto no diagnóstico da endometriose
Estima-se que mulheres com endometriose convivam entre oito a dez anos até obterem um diagnóstico correto. Muitas passam por diversos especialistas e realizam inúmeros exames, frequentemente ouvindo que a dor faz parte do ciclo menstrual. Para Dr. Igor Chiminacio, esse atraso no diagnóstico ocorre porque a doença é muitas vezes associada apenas a lesões visíveis, enquanto o comprometimento dos tecidos profundos pode causar sintomas mais amplos. “Nem toda dor causada pela endometriose aparece exatamente onde está a lesão. A inflamação e a fibrose podem afetar estruturas importantes da pelve e provocar sintomas à distância”, alerta.
A “Teoria do Polvo” também vem sendo utilizada em apresentações científicas e aulas para profissionais de saúde, enfatizando a importância de entender toda a anatomia da pelve na investigação da doença, e não apenas focar nas lesões superficiais. “Quando compreendemos como essas estruturas funcionam em conjunto, conseguimos interpretar melhor os sintomas e individualizar o tratamento de cada paciente”, conclui Chiminacio.
As mulheres devem buscar avaliação médica sempre que apresentarem sintomas que vão além de cólicas menstruais leves, como cólicas intensas ou incapacitantes; dor durante relações sexuais; dor ao evacuar ou urinar, especialmente no período menstrual; dor na lombar, virilha, quadril ou pernas relacionadas ao ciclo; dor pélvica persistente; e dificuldade para engravidar. Investigar esses sintomas precocemente aumenta as chances de um diagnóstico correto, tratamento adequado e preservação da qualidade de vida e da fertilidade.



