Novos detalhes sobre o relacionamento de Isabelle Caracristi, de 22 anos, emergiram enquanto a Polícia Civil investiga sua morte, ocorrida em 13 de setembro, em Fortaleza. De acordo com o Diário do Nordeste, a jovem teria descoberto que seu namorado, João Munhoz Neto, ainda era casado, semanas após o início do relacionamento.
Isabelle e João, que se conheciam da faculdade, começaram a namorar em julho, quando a estudante iniciou um estágio no escritório de advocacia onde ele trabalhava. Informações obtidas pelo jornal revelam que João casou-se com uma fisioterapeuta em 6 de janeiro de 2025, em Iguatu, Ceará, e o divórcio consensual foi formalizado apenas em 12 de agosto de 2026, já durante o relacionamento com Isabelle.
A advogada de João, Lígia Peixe, confirmou a situação do casamento, mas afirmou que Isabelle sabia do estado civil dele. “Ele é casado. Ele, em nenhum momento, negou para ela”, disse a defensora, acrescentando que João estava “separado de fato” da esposa, embora não formalmente.
Além disso, Isabelle teria mencionado a descoberta sobre o casamento em um áudio de 13 minutos enviado a um familiar. Nesse registro, ela expressou descontentamento com a relação, alegando se sentir explorada e mencionando “jogos emocionais” e ameaças. A estudante também fez um alerta ao familiar, afirmando que, se algo acontecesse com ela, o áudio seria uma prova e pediu para não acreditarem em João.
Cerca de uma semana antes de sua morte, Isabelle procurou o mesmo familiar para desabafar sobre o relacionamento, afirmando que “não suportava mais” certas atitudes de João. Durante essa conversa, o familiar ouviu João mandando Isabelle desligar o telefone, ao que ela respondeu: “Você não manda em mim”.
A morte de Isabelle ocorreu no pátio do Condomínio La Piazza, onde o casal residia. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) constatou que seu corpo apresentava lesões compatíveis com um impacto contra o solo, e exames toxicológicos não encontraram substâncias de interesse. Imagens de câmeras de segurança mostraram que João deixou o condomínio por volta das 18h32, e às 19h12, Isabelle foi vista sozinha no elevador, seguindo para a cobertura. A queda ocorreu aproximadamente às 20h40, e João retornou ao edifício às 22h48.
João foi preso preventivamente nesta terça-feira (22) sob a acusação de induzir ou instigar alguém ao suicídio e ameaça, conforme os artigos 122 e 147 do Código Penal. A defesa criticou a prisão, alegando que João se apresentou voluntariamente à polícia e colaborou com a investigação, entregando seu celular.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, prestou depoimento por cerca de quatro horas no 2º Distrito Policial de Fortaleza, onde foram apresentados áudios de conversas da jovem com amigos e familiares. As advogadas da família informaram que exames periciais descartaram a possibilidade de gravidez no momento da morte, uma hipótese levantada anteriormente pelo irmão da estudante.
As circunstâncias da morte de Isabelle continuam sob investigação pela Polícia Civil, que tramitam em segredo de Justiça.



