O primeiro turno das eleições de 2026 sinalizou um fortalecimento considerável da direita no Brasil, tanto na disputa pela Presidência da República quanto nas eleições para o Congresso Nacional e governos estaduais. A avaliação é do jornalista político Caio Barbieri, apresentador do programa Política em Minutos, da LeoDias TV em parceria com a Platô BR.
De acordo com Barbieri, a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, onde Flávio obteve 47% dos votos válidos contra 45% de Lula, representa apenas uma fração do que foi observado nas urnas. Essa foi a menor diferença entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização, com pouco mais de 2 milhões de votos separando os candidatos.
Direita consolida força nos estados
O fortalecimento da direita não se limitou à disputa presidencial. Barbieri destaca que governadores identificados com a direita foram reeleitos em estados chave, como Tarcísio em São Paulo e Cleitinho em Minas Gerais. O ex-juiz Sérgio Moro também venceu no Paraná, assim como Jorginho Melo em Santa Catarina e Luciano Zucco no Rio Grande do Sul. O PT conseguiu manter a liderança em estados tradicionais como Bahia, Ceará e Piauí, mas a tendência de avanço da direita é inegável.
Composição do Congresso: um novo cenário
No Senado, a situação é ainda mais expressiva. O PL se prepara para formar a maior bancada, enquanto alguns nomes da esquerda, como Randolfe Rodrigues e Gleisi Hoffmann, não conseguiram manter seus mandatos. Além disso, novos senadores que chegaram ao cargo trazem um discurso de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode aumentar a tensão institucional e complicar a presidência de Davi Alcolumbre no Senado.
Desafios para o próximo presidente
Independentemente de quem vencer a eleição presidencial no segundo turno, Barbieri ressalta que o novo governante enfrentará um Congresso mais conservador e combativo. Para Lula, isso implicaria em um cenário de governabilidade mais difícil, exigindo articulação política intensa para garantir apoio às suas pautas. Por outro lado, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em um ambiente mais favorável, dado o alinhamento ideológico entre ele e muitos parlamentares recém-eleitos.
Barbieri conclui que o segundo turno das eleições não decidirá apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também moldará os desafios que o próximo presidente enfrentará em relação ao Congresso, especialmente em um cenário onde a direita está fortalecida e com maior capacidade de pressão e negociação.



