A investigação da morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, em Fortaleza, ganhou novos contornos após revelações da síndica do prédio onde a jovem foi encontrada sem vida. O depoimento, que faz parte do material analisado pela Polícia Civil do Ceará, foi veiculado no programa “Fantástico”, da TV Globo, no último domingo (27).
De acordo com a síndica, no dia seguinte ao falecimento de Isabelle, o namorado, João Munhoz Neto, pediu ao porteiro que verificasse se o celular da estudante havia sido descartado nas lixeiras do prédio. Além disso, ele teria orientado que familiares de Isabelle não entrassem no edifício, uma medida que ocorreu poucas horas antes da chegada da mãe e de um tio da jovem, que buscavam informações sobre o ocorrido. Isorlanda Caracristi, mãe da estudante, revelou que não recebeu uma ligação direta de João para informá-la sobre a morte da filha.
“Ele não me ligou. Eu estava dormindo. Quando eu vejo, foi uma ligação de um número desconhecido. Se fosse ele, o número seria conhecido”, afirmou Isorlanda.
João retornou ao prédio no dia seguinte à morte de Isabelle, o que gerou questionamentos por parte da polícia. Segundo a investigação, ele estava à procura do celular da estudante e realizou outras ações consideradas suspeitas. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) determinou que a jovem teve uma queda ‘voluntária’ do rooftop do prédio.
Possíveis dívidas e cobranças
O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, informou que a investigação também identificou relações de dívidas entre o casal. João alegou que uma das dívidas de Isabelle era com ele, e a advogada da família, Patrícia Viana, confirmou que ele havia emprestado dinheiro à estudante, mas que as exigências dele aumentaram após o empréstimo.
“Transformou a generosidade em outros pedidos”, disse Viana, mencionando que João passou a exigir informações sobre a localização de Isabelle e pediu que ela o desbloqueasse nas redes sociais. Segundo a advogada, a estudante demonstrava cansaço com a situação.
Após a morte, o apartamento de Isabelle foi limpo e alguns objetos foram retirados, além de o imóvel ter sido colocado à venda, elementos que foram incluídos no pedido de prisão de João. A polícia também analisa imagens de câmeras de segurança e dispositivos eletrônicos relacionados ao caso para esclarecer a dinâmica da morte e investigar possíveis indícios de violência psicológica.
Defesa e reações
A defesa de João Munhoz Neto nega as acusações de controle e abuso psicológico, afirmando que o relacionamento era recente e que Isabelle tinha liberdade para decidir quando ficar em seu apartamento. João foi preso preventivamente na terça-feira (22) e é investigado por induzimento ou auxílio ao suicídio, violência psicológica e obstrução da Justiça.
Além disso, novas informações indicam que João estava em contato com sua ex-esposa na noite da morte de Isabelle. Imagens mostram João saindo da igreja com ela, enquanto a defesa afirma que ele já estaria separado. A situação levantou mais questionamentos sobre a relação do casal e a dinâmica que poderia ter contribuído para o trágico evento.
Atualmente, a Polícia Civil já ouviu 25 pessoas durante a apuração e está analisando mais de 700 vídeos de câmeras do prédio para entender melhor o que ocorreu. A conclusão da perícia descartou a hipótese de queda acidental, afirmando que Isabelle teria caído de forma voluntária.
A investigação continua em andamento, buscando esclarecer todos os detalhes e motivações que cercam a morte de Isabelle Caracristi.



