Um erro de ortografia em uma mensagem de WhatsApp foi crucial para a descoberta do assassinato do arquiteto Rodolfo Augusto Bassi, de 61 anos, na Argentina. A vítima, que estava desaparecida, enviou uma mensagem que chamou a atenção da família por conter um erro que ele não costumava cometer.
Após um período sem contato, um familiar recebeu a mensagem de Bassi, que dizia: “Hola, estoy bolviendo de Rosario, Moni. Nos hablamos”, que em português significa “Oi, estou voltando de Rosário, Moni. Nos falamos”. A palavra “bolviendo”, escrita com “b”, foi identificada como um erro, uma vez que o correto seria “volviendo”. A família, ciente do domínio de Bassi sobre a língua espanhola e da sua ausência em Rosário, ficou desconfiada.
Preocupados, os parentes registraram um boletim de ocorrência. As investigações policiais levaram à descoberta do corpo do arquiteto, encontrado amarrado a uma cadeira em seu apartamento em Paraná, província de Entre Ríos. Um laudo preliminar indicou sinais de tortura e um golpe fatal na cabeça, com a perícia encontrando também facas e uma marreta no local, possíveis armas do crime.
Duas pessoas que trabalhavam em obras para Bassi, Carlos Gastón Aguilar, de 48 anos, e Claudio Ramón Inofre, de 52, foram detidas. Nenhum deles tinha antecedentes criminais. Aguilar se apresentou à polícia após seu carro ser identificado por câmeras de segurança nas proximidades do local do crime, mas negou envolvimento no assassinato. Inofre foi abordado enquanto tentava viajar para a província de Misiones, sendo encontrado com o celular e documentos de Bassi.
De acordo com o promotor Juan Manuel Pereyra, os dois suspeitos teriam agredido Bassi e o amarrado. Um deles ficou vigiando a vítima enquanto o outro usou a motocicleta do arquiteto para ir até sua casa, de onde foram roubados dinheiro e objetos de valor. A troca de mensagens do celular de Bassi foi uma estratégia dos acusados para evitar que seu desaparecimento levantasse suspeitas.
O erro na palavra “bolviendo” acabou sendo uma pista vital que levou a família a agir rapidamente. A motivação do crime ainda não foi completamente esclarecida. Embora o roubo tenha sido uma parte do crime, a brutalidade empregada levanta a hipótese de que o assassinato possa estar relacionado a uma dívida ou vingança. O caso foi qualificado como homicídio e os suspeitos permanecem em prisão preventiva por 60 dias.



