Uma mulher de 41 anos, que optou por não revelar sua identidade, compartilhou sua experiência devastadora com as apostas online, revelando que perdeu R$ 1,7 milhão. Em entrevista ao UOL TAB, publicada nesta sexta-feira (16), ela contou como o vício impactou seu casamento e sua vida pessoal, resultando em uma dívida de R$ 900 mil com bancos.
Após um ano e sete meses sem apostar, a mulher, chamada informalmente de Joana, refletiu sobre como seu comportamento a levou a perder um emprego de dez anos e a confiança de pessoas próximas. “O vício em cassinos online me fez perder o meu casamento e a noção do valor do dinheiro”, desabafou.
Joana começou a apostar em meados de 2022 como uma forma de escapar de problemas pessoais e profissionais. Inicialmente, apostava quantias pequenas, mas logo as apostas aumentaram. “Passei a procurar plataformas que aceitassem valores cada vez maiores. Uma vez, apostei R$ 2.000 e cheguei a ter um saldo de R$ 360 mil. Em vez de pagar dívidas, continuei apostando”, explicou.
Ela também revelou que, para sustentar seu hábito, começou a mentir sobre suas atividades. “Dizia que precisava de dinheiro para comprar um carro ou que meu filho estava doente. Na verdade, passava horas apostando escondida”, relatou.
A crise em seu casamento se intensificou com o vício, culminando em sua separação e na guarda compartilhada do filho, que hoje tem 2 anos e 9 meses. Joana compartilhou que demorou a reconhecer a necessidade de ajuda e que, ao longo do tempo, acumulou dívidas também com agiotas.
Após um período crítico, Joana passou 41 dias em uma clínica de reabilitação e começou a buscar apoio da família, que a ajudou a lidar com a situação. “Minha irmã ficou comigo durante 21 dias, e minha mãe passou a controlar meus gastos”, contou.
Atualmente, Joana faz acompanhamento com profissionais de saúde mental e participa de um grupo de apoio chamado Jogadores Anônimos. Ela acredita que é essencial cuidar da dependência, além de ter restrições às apostas. “Ainda tenho uma dívida de R$ 900 mil e preciso lidar com as consequências das minhas escolhas. Aprendi a pensar na abstinência um dia de cada vez”, concluiu.



