A OpenAI notificou a Polícia Federal (PF) sobre pelo menos dois usuários do ChatGPT que manifestaram a intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que destacou que a empresa também encaminhou uma notificação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso.
Após monitorar o comportamento dessas contas, a OpenAI concluiu que existem motivos razoáveis para acreditar que há uma “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave” contra o presidente Lula. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já enviou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, em outubro, para que seja decidido se um inquérito será aberto em decorrência das ameaças.
A OpenAI explicou à Folha que realiza alertas às autoridades quando identifica conversas que indicam risco efetivo para outras pessoas. Além disso, a empresa reiterou que a notificação ao TSE foi feita “em linha com o plano de conformidade eleitoral”.
Um dos casos que chamou a atenção da OpenAI envolve um usuário que, desde janeiro, enviava mensagens ao ChatGPT. Em um dos trechos obtidos pelo jornal, o homem relatou que estava no centro da cidade onde vive em setembro, quando avistou o presidente Lula em um evento eleitoral, a menos de 400 metros de distância. O usuário confessou ter vontade de atirar na cabeça de Lula e fez perguntas como: “O que acontece se eu matar o presidente?” e “quantos anos eu pegaria [de pena]?”. Ele também enviou uma foto de um local com uma torre que teria um bom ângulo para um ataque.
A OpenAI destacou que, embora o usuário tenha afirmado que não agiria e que não possuía uma arma, ele expressou o desejo de usar um fuzil de precisão e fez referências a planos de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta. “O usuário também compartilhou fotos de armas brancas e manifestou vontade de agredir até mesmo parentes”, informou a empresa.
Além disso, o homem chegou a compartilhar símbolos nazistas com o ChatGPT e mencionou que faria um massacre se tivesse recursos financeiros. Em outra conversa, ele enviou uma receita de explosivo e mencionou ataques a centros médicos.
Após analisar o conteúdo das conversas, a OpenAI decidiu encerrar a conta do usuário na plataforma e enviou a documentação à PF no início de outubro, ressaltando que a ação foi tomada para “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”.



