Uma estudante do Instituto Federal Catarinense (IFC), em São Bento do Sul, conquistou uma indenização de R$ 6 mil por danos morais após um incidente em sua cerimônia de formatura. Isabel Alves, de 19 anos, não pôde entrar no evento ao som da música que havia escolhido, “I Kissed a Girl”, da cantora Katy Perry, um momento que representava sua identidade e personalidade.
A decisão foi proferida pelo Juizado Especial Cível de São Bento do Sul e divulgada no dia 22 de setembro. A sentença responsabilizou a empresa organizadora da cerimônia, que ocorreu em 19 de dezembro de 2025, por não tocar a música durante a entrada da aluna. A organizadora ainda não se manifestou sobre a decisão.
Vídeos anexados ao processo mostram Isabel aguardando sua entrada enquanto o som da música não era reproduzido. Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), o nome da formanda foi anunciado três vezes, mas a canção não tocou em nenhuma delas.
Isabel, que fazia parte da comissão de formatura e tinha a responsabilidade de encaminhar as músicas para a empresa, já havia notado que algumas faixas estavam sendo reproduzidas incorretamente antes de sua entrada. Ela expressou sua preocupação, acreditando que o mesmo erro aconteceria com sua escolha musical. “Eu vi que tinha músicas trocadas… porque eu não queria que isso acontecesse comigo”, contou.
A escolha de “I Kissed a Girl” é significativa para a estudante, que afirmou: “Essa música representa muito da minha identidade. Eu tenho muito orgulho de ser quem eu sou e não tenho vergonha nenhuma.” Ao ser chamada para entrar na cerimônia, Isabel se recusou a fazê-lo sem a música que a representava, resultando em um momento de constrangimento.
Na primeira tentativa, uma funcionária pediu que ela saísse da fila para verificar o que estava acontecendo. Quando chamada novamente, a música ainda não tocou, e Isabel decidiu não entrar. “Eu não vou entrar enquanto não tocar minha música. Eu estava bem decidida”, lembrou. A situação se repetiu pela terceira vez, quando uma funcionária informou que, se ela não entrasse naquele momento, perderia a oportunidade de participar da entrada oficial.
Sem que “I Kissed a Girl” fosse tocada, Isabel acabou entrando ao som de “Um Sujeito de Sorte”, uma música escolhida por uma colega que entrou antes dela. “Não foi por escolha. Foi porque falaram: se você não entrar agora, você não entra mais”, explicou.
A estudante lamentou que o episódio afetou um momento que aguardava ansiosamente. “Para mim foi algo muito triste, porque era uma coisa que eu sonhava, que eu tinha esperado. O descontentamento da minha família foi um dos fatores que motivaram o processo”, disse.
No tribunal, a empresa argumentou que a execução das músicas era uma cortesia e não uma obrigação contratual, além de sugerir que o problema poderia ter sido causado pelo arquivo enviado por Isabel. No entanto, o juiz determinou que, ao criar um sistema para receber as canções, a empresa assumiu a responsabilidade pela execução correta do serviço. Ele também salientou que a empresa não apresentou evidências de que o erro estava no arquivo enviado pela aluna.
Isabel concluiu: “Fico feliz pela vitória, mas triste pelo acontecido. Muito triste pela tristeza que os meus pais sentiram em não poder ver o meu nome anunciado com a música que eu queria.”



