A brasileira Iara do Carmo Santana foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após enfrentar um aborto espontâneo e uma crise de saúde mental em Massachusetts. O incidente ocorreu no início de setembro, quando seu noivo, Gabriel Lemos, acionou o serviço de emergência para solicitar atendimento médico.
Segundo relatos do casal, a intenção era garantir a Iara o atendimento necessário. No entanto, a situação culminou com a detenção dela, inicialmente sob a acusação de violência doméstica, que foi seguida pela entrega ao ICE devido à sua condição migratória.
Iara e Gabriel negam as acusações de agressão. Após ser levada à delegacia, Iara foi encaminhada a um centro de detenção do ICE em Burlington, onde permaneceu por quatro dias. A brasileira havia sofrido um aborto espontâneo em agosto e necessitava de um procedimento médico, além de continuar o tratamento para uma infecção resultante do aborto.
No início de setembro, ela passou por uma crise de saúde mental, levando Gabriel a ligar para o 911, o número de emergência nos EUA. Embora a intenção fosse receber ajuda, a polícia foi chamada e Iara acabou detida. Após sua liberação da delegacia, ela foi colocada sob custódia do ICE.
Durante os quatro dias no centro de detenção, Iara relatou não ter recebido os medicamentos adequados para tratar sua infecção e enfrentou dificuldades para obter atendimento médico. Ela ainda destacou a falta de um antibiótico essencial.
O caso foi levado à Justiça Federal pelos advogados de Iara, que questionaram as condições de detenção e a assistência médica fornecida. Em audiência, o juiz distrital Leo Sorokin determinou a liberação de Iara e solicitou explicações da Procuradoria dos Estados Unidos sobre os cuidados médicos prestados a detidos. “Se você detém alguém, têm a obrigação de prestar assistência médica a essas pessoas”, enfatizou o juiz.
A unidade de Burlington já havia sido alvo de críticas por parte de imigrantes, advogados e organizações de direitos humanos, que relataram condições inadequadas, como a falta de colchões e problemas de higiene.
Iara foi liberada após a audiência, mas ainda enfrenta um processo migratório e pode ser submetida à deportação. Ela entrou nos Estados Unidos pela fronteira com o México em 2021 e pediu asilo, recebendo autorização para trabalhar. Gabriel, seu noivo, é residente permanente legal e o casal planejava se casar no próximo ano.



