Novos detalhes sobre o caso de Isabelle Caracristi, de 22 anos, emergiram durante as investigações de sua morte, ocorrida em 13 de setembro em Fortaleza, Ceará. A jovem caiu do 23º andar do edifício onde residia com o namorado, João Munhoz Neto, que foi preso na terça-feira (22) sob suspeita de induzimento ao suicídio e violência psicológica.
Uma análise preliminar do celular de Isabelle revelou mensagens que indicavam abusos por parte de João, além de expressões de desejo de “sumir”. Segundo a coluna de Carlos Madeiro, do UOL, a perícia recuperou conversas do WhatsApp que demonstram uma crescente vigilância e controle por parte do namorado. A recuperação das mensagens foi possível graças a um backup em nuvem, embora o histórico entre 2h e 20h40 do dia da morte não tenha podido ser restaurado.
No pedido de prisão, os delegados afirmaram que as mensagens recuperadas indicam violência psicológica e sugerem que o sofrimento emocional de Isabelle estava se intensificando. Ela enviou um alerta a um familiar pouco antes de ser encontrada morta, afirmando que o amava e expressando seu sofrimento.
Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, relatou que, antes do trágico incidente, a filha mencionou sentir-se “ameaçada, manipulada, pressionada e presa”. A polícia também descobriu que João havia instalado uma câmera na porta do apartamento, gerando suspeitas sobre possíveis tentativas de controlar a jovem. A defesa de João, representada pela advogada Lígia Peixe, afirmou que ele não estava presente no edifício no momento da queda e justificou o desaparecimento dele como resultado do abalo emocional.
Áudio enviado a primo revela tensão antes da morte
Uma semana antes de falecer, Isabelle fez uma ligação para um primo, na qual expressou que não suportava mais o controle e ciúmes excessivos de João. Durante a conversa, o primo ouviu João ao fundo ordenando que ela desligasse o telefone. Isabelle também alertou que deveria haver uma investigação sobre qualquer incidente que ocorresse com ela, afirmando: “João é doente, não acredite nele”.
Além disso, duas horas antes de sua morte, Isabelle enviou um áudio de 16 minutos ao primo, detalhando uma discussão com o namorado e afirmando estar sendo ameaçada. Ela também descobriu que João era casado, o que aumentava sua angústia sobre a relação.
O relacionamento entre Isabelle e João foi descrito como possessivo, com ele exigindo acesso constante à localização dela e controlando vários aspectos de sua vida. A juíza Fabrícia Ferreira de Freitas, ao decretar a prisão preventiva de João, destacou que Isabelle estava sob intensa pressão psicológica, resultando em um evidente esgotamento emocional.
O caso de Isabelle Caracristi levanta questões sobre a violência psicológica em relacionamentos abusivos e os sinais de alerta que podem preceder tragédias como essa.



