Na terça-feira (22), países latino-americanos que fazem parte do Escudo das Américas, uma coalizão liderada pelo governo de Donald Trump, firmaram um acordo para tratar organizações ligadas ao narcotráfico como ameaças compartilhadas e ampliar sanções conjuntas. Entre os grupos que serão alvo das medidas estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
A iniciativa foi discutida em um encontro realizado em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Trump convocou aliados da região para defender uma ação coordenada contra organizações criminosas transnacionais, uma das principais bandeiras de sua política para a América Latina.
O governo dos Estados Unidos deseja que os integrantes do Escudo das Américas adotem medidas contra 24 organizações já designadas por Washington. As sanções incluem bloqueio de ativos, restrições migratórias e responsabilização de indivíduos que ofereçam apoio material às organizações identificadas.
O PCC e o CV já haviam sido classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos, uma designação que entrou em vigor em junho. Essa classificação permite, segundo a legislação americana, a implementação de restrições migratórias e punições severas para aqueles que fornecem apoio a esses grupos, além de bloqueios financeiros.
O que é o Escudo das Américas
O Escudo das Américas foi lançado em março deste ano por Trump, com o objetivo de articular uma resposta regional ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. A aliança inclui países como Argentina, Chile, El Salvador, Equador, Colômbia e Peru, promovendo intercâmbio de inteligência e coordenação de ações entre os membros. Importante ressaltar que Brasil e México não fazem parte dessa coalizão.
No entanto, o governo brasileiro, sob a liderança de Lula, mantém uma posição divergente em relação à classificação do PCC e do CV. No Brasil, essas facções são consideradas organizações criminosas, não terroristas. A administração brasileira defende que o combate ao crime organizado deve ocorrer através da cooperação internacional, sem intervenções estrangeiras em território nacional.



