Imagens de câmeras de segurança capturaram os últimos momentos de Júlia Bossoni na montanha-russa Montezum, localizada no Hopi Hari, em Vinhedo, São Paulo, antes de um grave acidente que resultou em traumatismo cranioencefálico. A jovem, que ficou 57 dias internada, ainda enfrenta sequelas físicas e neurológicas. O caso está sob investigação do Ministério Público de São Paulo, que solicitou uma perícia na atração. As imagens foram divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (20).
Júlia e seu companheiro, João Pedro Bossoni, viajaram de Londrina, Paraná, para visitar o parque em abril. Segundo relato, o casal já havia experimentado a montanha-russa uma vez sem problemas antes de decidirem retornar após receber um acesso promocional. “A gente conseguiu ainda pegar uma promoção e também ganhamos uma passagem VIP para a Montezum”, contou João Pedro.
No momento do segundo embarque, o casal gravou um vídeo mostrando expressões de apreensão. Júlia estava consciente durante a subida do carrinho, mas não há registros do restante do percurso. Cerca de dois minutos após a partida, o veículo retornou à plataforma com Júlia desacordada e em convulsão. “Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e, nesse momento, você fica desesperado, não sabe o que fazer”, relatou João Pedro.
Funcionários do parque prestaram atendimento e, seis minutos depois, Júlia foi retirada em uma maca e levada diretamente para a UTI da Santa Casa de Vinhedo. Os primeiros exames revelaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral, levando a uma cirurgia de emergência, conhecida como craniectomia descompressiva. O neurocirurgião Victor Batistela explicou que esse procedimento visa permitir espaço para o cérebro inchado.
Após a cirurgia, Júlia recebeu o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico e permaneceu internada por 57 dias. João Pedro relatou que a jovem perdeu parte dos movimentos e enfrenta dificuldades na fala e alterações de memória. “Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta”, afirmou.
Repercussão e investigação
A família de Júlia está buscando uma perícia judicial para esclarecer as circunstâncias do acidente. Após cinco meses do ocorrido, a jovem continua em processo de reabilitação, tendo passado por sete cirurgias até o momento. A mãe, Danielle Rimolli, descreveu as intensas terapias que Júlia está realizando. “A gente conseguiu agora fisioterapia três vezes por dia, três vezes por semana”, explicou.
Além do caso de Júlia, outros relatos de lesões associadas à montanha-russa Montezum foram mencionados na reportagem. Nathalia Assenjo Motta, que sofreu uma lesão cervical após andar na atração em 2018, relatou problemas permanentes e necessidade de tratamentos contínuos. Outro caso é o de Márcio, que ficou tetraplégico após um passeio na mesma montanha-russa em 2014 e faleceu em 2023 devido a complicações.
O Hopi Hari, por sua vez, afirmou que a Montezum possui certificação internacional e passa por inspeções anuais, além de seguir as normas de segurança. O parque informou que os visitantes são alertados sobre os riscos associados à atração. Em relação aos casos mencionados, a administração esclareceu que os episódios ocorreram antes de 2019, durante uma gestão anterior.
Sobre o acidente de Júlia, o parque alegou que a jovem recebeu atendimento imediato e que as despesas durante sua internação foram cobertas pela instituição. O Ministério Público continua a investigação para apurar as circunstâncias do acidente e solicitou uma perícia na montanha-russa.
Desde o início do ano, o parque recebeu mais de 870 mil visitantes, com aproximadamente 470 mil passando pela Montezum. O Hopi Hari também anunciou que a montanha-russa passará por reformas previstas para o fim de 2026.
Para mais detalhes, assista à reportagem completa exibida pelo Fantástico.



