A advogada e médium Máira Rocha, conhecida por seus atendimentos espirituais em Brasília, está no centro de uma polêmica após ser acusada de falsificar cartas psicografadas. A situação foi revelada no programa “Fantástico” do último domingo (6), que apresentou relatos de famílias que desconfiaram da autenticidade das mensagens recebidas.
Máira Rocha, que também atua no Ministério da Saúde e é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, um centro espírita que atende cerca de cinco mil pessoas mensalmente, enfrenta diversas acusações. Até o momento, ela possui registros policiais em pelo menos cinco estados, com denúncias que incluem estelionato, calúnia e difamação.
De acordo com a reportagem, a Casa da Caridade oferece atendimentos espirituais e realiza a psicografia de “cartas consoladoras”, onde mensagens de entes falecidos são supostamente transmitidas. Contudo, familiares relataram que as cartas continham erros e informações que poderiam facilmente ser encontradas na internet.
Uma das testemunhas, Marina Escames, descreveu como se sentiu enganada após fornecer informações pessoais antes da psicografia de seu falecido marido. Segundo ela, a médium perguntou detalhes que acabaram se refletindo nas mensagens recebidas, levando-a a acreditar na autenticidade da comunicação espiritual, até que seu filho descobriu semelhanças com postagens nas redes sociais do pai.
Outro caso foi o de Marcela Magalhães, que se questionou sobre o conteúdo de uma mensagem atribuída ao seu filho Henrique, falecido em um acidente de carro. A médium mencionou que Henrique havia sido jogador de futebol, o que não era verdade. Marcela encontrou uma reportagem que reproduzia informações erradas sobre o filho, aumentando suas suspeitas sobre os atendimentos de Máira.
Especialistas consultados pelo programa alertaram que a prática de coleta de informações pessoais antes das sessões pode facilitar a criação de perfis detalhados sobre os falecidos. O escritor e pesquisador espírita Pedro Camilo explicou que, com esses dados, é possível elaborar um dossiê e enganar os familiares com informações que parecem verídicas.
Além das acusações de fraude, Máira Rocha está sendo investigada por possíveis desvios de recursos e a prática de charlatanismo. Um grupo de lideranças espíritas já apresentou uma notícia-crime contra ela, citando estelionato e violação do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em resposta às acusações, a médium não se pronunciou ao programa, mas fez uma live em suas redes sociais, onde defendeu seu trabalho e alegou que as denúncias são fruto de intolerância religiosa. Máira também compartilhou mensagens de WhatsApp como parte de sua defesa e afirmou estar sendo alvo de perseguições desde 2019.
As investigações sobre as práticas da médium e as denúncias feitas por familiares continuam em andamento, enquanto o público se questiona sobre a ética e a legitimidade dos serviços espirituais oferecidos na Casa da Caridade.



