Um estudo recente publicado na revista científica Health Psychology revela que memórias da infância relacionadas ao carinho e apoio dos pais podem ter um impacto significativo na saúde física e mental de adultos. A pesquisa, conduzida por William J. Chopik e Robin S. Edelstein, da Michigan State University e da University of Michigan, analisou dados de mais de 22 mil pessoas para entender a relação entre as experiências na infância e o bem-estar na vida adulta.
A primeira lembrança identificada como crucial para a felicidade dos adultos é o afeto recebido durante a infância, especialmente da mãe. Aqueles que relataram ter tido uma infância mais carinhosa mostraram menos sintomas depressivos e uma menor incidência de doenças crônicas. Além disso, o estudo também levou em conta variáveis como idade e condição socioeconômica.
A segunda memória significativa está ligada à forma como os pais reagiam aos problemas enfrentados pelos filhos. Adultos que se lembram de receber conforto e apoio emocional em momentos difíceis tendem a apresentar melhores indicadores de saúde física e mental.
Em entrevista à revista Crescer, a psicóloga Sarah Karounis destacou a relevância das experiências afetivas na infância. “O fato de adultos que se lembram de carinho e acolhimento dos pais apresentarem menos sintomas depressivos reforça a importância dos vínculos familiares”, disse. Ela enfatizou que não são apenas grandes eventos que marcam a memória infantil, mas também a sensação de segurança proporcionada pelo ambiente familiar.
Karounis acrescentou que o apoio em situações desafiadoras é fundamental para o desenvolvimento emocional. “Ter alguém que escute e ofereça apoio nos momentos difíceis ajuda a construir uma sensação de segurança, permitindo que a criança enfrente melhor os desafios da vida”, explicou.
No entanto, a especialista fez uma ressalva: “É importante lembrar que o estudo mostra uma associação entre essas lembranças e melhores indicadores de saúde, e não sugere que uma infância afetuosa garanta, por si só, uma vida adulta saudável.”
Ela também alertou sobre o impacto da tecnologia na convivência familiar, afirmando que dispositivos eletrônicos podem reduzir a interação entre pais e filhos. “A tecnologia não é necessariamente negativa, mas não deve substituir o contato humano e a convivência familiar”, ressaltou.
A psicóloga concluiu com dicas para os pais melhorarem o bem-estar de seus filhos: “Momentos simples, como refeições em família e conversas diárias, podem se transformar em memórias valiosas. Mais do que presentes, estar emocionalmente disponível é essencial para que a criança se sinta amada e segura.”



