A gestão de Gianni Infantino à frente da FIFA recebeu novas críticas nesta segunda-feira (24/8), quando um grupo de ex-jogadores de diversos países divulgou um manifesto exigindo mudanças na estrutura da entidade. O documento, que enfatiza a necessidade de maior participação de atletas e torcedores nas decisões do futebol global, é liderado pelos franceses Emmanuel Petit e Mikael Silvestre e conta com a assinatura de nomes como Bixente Lizarazu, Robert Pirès, Didier Drogba, Emmanuel Adebayor, Juan Sebastián Verón, Claudio Pizarro, Lucy Bronze e Briana Scurry.
Uma observação notável sobre o manifesto é a ausência de ex-jogadores brasileiros, que não estão representados entre os signatários. No documento, os jogadores expressam sua preocupação com a crescente desconexão entre a administração da FIFA e os interesses de torcedores e atletas. “Como jogadores, dedicamos nossas vidas ao futebol, e sabemos que nossas conquistas não seriam possíveis sem os torcedores, cuja paixão é a base desse esporte”, afirmam.
Os ex-atletas também relatam que compartilham as mesmas preocupações manifestadas por torcedores ao redor do mundo, mencionando que o esporte se distanciou de seus valores fundamentais sob a atual direção da FIFA. O manifesto critica ainda a falta de consulta aos jogadores em decisões estratégicas, afirmando que “decisões importantes têm sido tomadas sem o devido respeito por aqueles que sustentam o esporte”.
Essa manifestação ocorre em um momento de crescente desgaste político para Infantino, que enfrentou resistência após propor a criação de uma empresa para gerenciar ativos comerciais da FIFA, uma ideia que acabou sendo abandonada. Críticas de figuras como Kevin Lamour, ex-diretor de operações da FIFA, intensificaram a pressão sobre o presidente, que ocupa o cargo desde 2016 e planeja buscar a reeleição em março de 2027.
No entanto, nem todos estão alinhados com as críticas a Infantino. Samuel Eto’o, presidente da Federação Camaronesa de Futebol, defendeu o dirigente em entrevista à CNN, sugerindo que as críticas estão relacionadas à proximidade das eleições. “Tudo isso aconteceu porque há uma eleição se aproximando”, afirmou Eto’o, que também elogiou iniciativas do presidente voltadas para países com menor participação no cenário internacional.
A disputa política em torno da FIFA se intensifica, com confederações como a UEFA, AFC e Concacaf considerando uma moção de desconfiança contra Infantino, enquanto a Confederação Africana de Futebol (CAF) continua a apoiá-lo. Eto’o também criticou a forma como a proposta comercial foi recebida, sugerindo que deveria ter sido debatida entre todos os 211 membros da entidade.



