Uma vacina personalizada, desenvolvida especificamente para cada paciente, pode revolucionar o tratamento do melanoma, o câncer de pele mais agressivo. Duas empresas farmacêuticas divulgaram resultados positivos de um estudo de fase 3, que combina uma vacina de RNA mensageiro com imunoterapia.
Embora os dados completos do estudo ainda não tenham sido divulgados, as empresas relataram que a combinação alcançou os objetivos principais da pesquisa, demonstrando eficácia na redução do risco de recidiva da doença e no desenvolvimento de metástases em pacientes que já se submeteram à remoção cirúrgica do tumor.
Como funciona a vacina personalizada
A tecnologia por trás da vacina atua como um “treinamento” para o sistema imunológico do paciente. O tumor é analisado para identificar suas alterações específicas, e, com base nessas informações, é criada uma vacina que ajuda as células de defesa a reconhecer e atacar as células cancerígenas.
O oncologista Daniel Musse, membro de sociedades de oncologia no Brasil, Estados Unidos e Europa, esclarece que, ao contrário das vacinas preventivas que conhecemos, esta é uma vacina terapêutica. “Ela é desenvolvida a partir das características do tumor de cada paciente, estimulando o sistema imunológico a combater a doença”, explica.
Contexto do tratamento
O tratamento é voltado para pacientes com melanoma que já foram submetidos à cirurgia e apresentam risco de recidiva. A vacina é utilizada em conjunto com o pembrolizumabe, um imunoterápico já aprovado para diferentes tipos de câncer.
Para Musse, os resultados são impressionantes, pois evidenciam o avanço da medicina personalizada. “É um tratamento desenhado para o paciente. Você identifica características específicas do câncer e tenta direcionar o sistema imunológico contra elas”, destaca.
Dados sobre o melanoma no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2026 e 2028, haja 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, tornando-o o tipo mais comum no Brasil. O melanoma, embora represente uma menor proporção dos tumores de pele, deve afetar 9.360 brasileiros anualmente, com potencial de se espalhar rapidamente pelo organismo.
Próximos passos e desafios
Apesar do otimismo, a vacina ainda não está disponível na prática clínica. Musse ressalta que, embora o estudo tenha atingido seu objetivo, o real benefício da vacina ainda precisa ser avaliado e aprovada pelas agências reguladoras. “Uma tecnologia tão elaborada requer uma estrutura robusta para funcionar, o que pode elevar significativamente os custos”, conclui.
No momento, não há um prazo definido para que o tratamento chegue ao mercado. Novas análises, avaliações de segurança e eficácia, além da aprovação por órgãos reguladores, ainda são necessárias antes que a vacina possa ser utilizada.



