O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas contundentes a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. As revelações são parte do livro “Banho de Sol”, escrito pelo policial federal Jorge Chastalo Filho, que acompanhou Lula durante seu encarceramento. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o conteúdo expõe a frustração do petista com decisões desfavoráveis proferidas pela Corte.
Entre as reclamações de Lula, destacam-se os ministros Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux, que foram alvos de suas insatisfações, especialmente por terem sido indicados por ele e pela ex-presidente Dilma Rousseff. A irritação de Lula com Cármen Lúcia é notável em um episódio narrado por Chastalo, onde ele recorda uma conversa de 2006, antes da indicação da ministra ao STF. Lula descreveu Cármen como uma “falsa humilde”, citando uma história que ela contou sobre sua infância para convencê-lo a apoiá-la.
“A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente? Ela começou dizendo que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo e que aprendeu com seu pai a importância da gratidão. E eu caí nessa!”, teria dito Lula, demonstrando o descontentamento com a ministra.
O ex-presidente também criticou Fachin, que, segundo ele, se distanciou dos movimentos sociais após sua indicação ao STF. Lula afirmou: “O Fachin foi a mesma coisa. Era ligado a movimentos sociais e agora está cagando pra eles.” A reprovação se estendeu a Luís Roberto Barroso, que Lula chamou de “advogado da Rede Globo”.
Em uma conversa repleta de ironia, Lula lamentou a promessa de gratidão que Cármen Lúcia teria feito a ele e expressou seu desdém: “Agora está aí, insegura, fazendo merda.” O ex-presidente ainda declarou que sentia um “ódio muito grande” da ministra, referindo-se a decisões que considerava prejudiciais.
A crítica a Edson Fachin se intensificou após o ministro retirar de pauta um julgamento que poderia beneficiar Lula. “Esse Fachin é um filho da puta mesmo, Chastalo. Eu não o indiquei para o STF porque não confiava nele”, afirmou. Ele chegou a comparar Fachin a Jair Bolsonaro, referindo-se a ambos como indivíduos que se dizem religiosos, mas não agem de acordo com seus princípios.
Apesar das duras críticas, Lula também elogiou alguns ministros, como Gilmar Mendes e Celso de Mello, que conseguiram escapar das reprovações. Em contrapartida, outros magistrados foram descritos por ele de forma pejorativa, sendo chamados de “boi do c* branco”, uma expressão que ele usou para caracterizar membros do STF que não tomam decisões impopulares.
Lula foi libertado em novembro de 2019, após o STF mudar seu entendimento sobre a prisão antes do fim dos processos. Desde então, ele foi reeleito presidente em 2022 e estabeleceu uma relação institucional com os ministros da Corte, apesar das críticas reveladas em “Banho de Sol”.



