Marise Rezende Corsato Braga, irmã da delegada Maria Corsato, registrou um boletim de ocorrência contra a policial, acusando-a de violência psicológica. A denúncia ocorre após Marise encontrar mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo escondido dentro de um puff que havia recebido da irmã. O caso está sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, Marise relatou que foi abordada por Alberta De Luca Tesei, amiga das duas irmãs, que alertou sobre a possibilidade de jornalistas estarem buscando informações sobre o caso e sugeriu que Marise poderia ser investigada. A irmã da delegada interpretou essa abordagem como uma tentativa de intimidação, alegando que Maria conhece suas vulnerabilidades emocionais e que a situação a deixou em estado de preocupação.
Marise, que realiza acompanhamento psiquiátrico devido a transtornos de ansiedade e depressão, afirmou que a irmã utiliza estratégias indiretas para manipular suas decisões, causando abalos emocionais. Ela mencionou que, após o episódio, passou a evitar sair de casa e até deixou de votar nas recentes eleições, temendo pela própria segurança, especialmente porque Maria possui arma de fogo.
Ainda conforme o boletim, Marise denunciou que a delegada expôs publicamente informações sobre sua saúde emocional em redes sociais, o que lhe causou constrangimento e humilhação. Maria teria mencionado que a irmã enfrenta problemas relacionados à dependência do álcool e à fragilidade emocional, o que acentuou a inquietação de Marise.
Como tudo começou: a fortuna encontrada
A investigação teve início no dia 24 de outubro, quando Marise acionou a Polícia Militar após descobrir a quantia e documentos guardados no puff que recebeu de Maria, que foi entregue em 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições. Na ocasião, a delegada estava em campanha para deputado estadual, mas não foi eleita. Ela teria mencionado a Marise que estava sendo procurada devido a uma suposta ordem de busca e apreensão.
Após a descoberta, a Polícia Militar foi ao local e recolheu o dinheiro e os documentos, mas não conseguiu localizar a delegada em seu apartamento. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a abertura de procedimentos para investigar a origem dos valores e possíveis infrações cometidas pela policial. A SSP também informou que a denunciante seria ouvida e que as perícias necessárias seriam realizadas.
O caso foi registrado como lavagem de dinheiro, irregularidades funcionais e apreensão de bens. A SSP destacou que o dinheiro encontrado será encaminhado para depósito judicial.
Justificativa da delegada
Em resposta à repercussão do caso, Maria Corsato alegou que os R$ 1,9 milhão encontrados no puff são provenientes de uma herança deixada por uma tia da família, cuja partilha ainda não foi concluída. Em suas redes sociais, a delegada também mencionou que a denúncia se origina de um conflito familiar, envolvendo um desentendimento anterior entre Marise e o marido de uma das irmãs.
Maria ainda fez referência a um incidente de 2008, quando Marise teria registrado uma ocorrência contra ela por alegar abandono, o que evidencia um histórico conturbado entre as irmãs.



