A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos ocorreu com o custo de US$ 150 mil, equivalente a cerca de R$ 815 mil. A informação foi revelada nesta quinta-feira (29) pelo empresário argentino Luis Grande, proprietário da Baires Fly, empresa responsável pelo transporte do senador. Grande informou à AFP que o valor foi pago por um intermediário do setor de aviação, a partir de uma conta bancária nos EUA, e que a contratação foi feita por Jason Miller, assessor de Donald Trump.
“Fui contratado por um broker que conheço há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos”, declarou Grande. Ele ressaltou que o intermediário, que possui nacionalidades argentina e norte-americana, transferiu o valor de uma conta empresarial nos EUA para um banco na Argentina, mas não revelou a identidade do responsável e disse não saber quem solicitou o serviço.
O New York Times e o Wall Street Journal também mencionaram Jason Miller como o responsável pela contratação, mas a informação ainda não foi confirmada oficialmente. Grande acrescentou que a viagem, inicialmente programada para segunda-feira (26), sofreu dois adiamentos.
Detalhes da fuga
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. Anteriormente, na segunda-feira, foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. No entanto, ele não cumpriu a ordem a tempo e teve os passaportes suspensos.
Dois dias antes da viagem, Flávio afirmou que recebeu a intimação enquanto estava fora de casa, após visitar seu pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Em suas declarações, ele contestou a medida e negou que tivesse planos de deixar o Brasil, classificando a decisão como uma tentativa de intimidação. “Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, garantiu.
Atualmente, Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no STF: um sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que relata a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador nega qualquer irregularidade.
Trump comenta chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA
Após a chegada de Flávio aos Estados Unidos, Donald Trump se manifestou, questionando o resultado das eleições brasileiras sem apresentar provas de irregularidades. “Acho que eles [os Bolsonaros] são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível”, afirmou Trump. Ele confirmou que deu autorização para a entrada de Flávio no país, mas optou por não comentar a carta golpista enviada pelo senador.
Trump também mencionou que não tomou partido nas eleições do Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou o pleito, que chamou de “vergonhoso”. O governo brasileiro ainda não se manifestou sobre as declarações de Trump.



