Daniel Radcliffe compartilhou detalhes sobre como auxiliou Michael Gambon, que interpretou Alvo Dumbledore na saga “Harry Potter”, durante as gravações dos filmes. Em depoimento para a biografia autorizada de Gambon, escrita pelo jornalista Jasper Rees, Radcliffe revelou que percebeu as dificuldades de memória do colega e adotou um método para ajudá-lo.
Gambon, que assumiu o papel de Dumbledore em 2003, após a morte de Richard Harris, enfrentou problemas para memorizar suas falas, um desafio que ele negou publicamente até sua morte em 2023, quando foi diagnosticado com demência.
Radcliffe contou que, inicialmente, achou que Gambon não se importava em acertar as falas logo na primeira tentativa. Contudo, essa percepção mudou ao chegarem ao sexto filme da franquia. “Quando chegamos ao sexto filme, de repente, eu percebi”, explicou.
Para ajudar Gambon, Radcliffe começou a segurar placas com as falas do ator durante as cenas em que contracenavam. “Eu ficava atrás de placas com as falas em muitas cenas, simplesmente segurando-as”, relembrou. Essa abordagem permitiu que Gambon acompanhasse o texto enquanto atuava.
O ator também mencionou que Gambon frequentemente se desculpava pela situação, ciente de que a solução facilitava o trabalho de todos. “Ele aceitou que aquilo tornaria a vida de todo mundo mais fácil, inclusive a dele, e que ninguém estava julgando-o”, disse Radcliffe, enfatizando o carinho que sentia pelo colega. “Eu amava Michael, então estava pouco me lixando para isso”, completou.
Imelda Staunton, que interpretou Dolores Umbridge, e David Bradley, que viveu Argus Filch, também comentaram sobre as dificuldades de Gambon. Staunton recordou um momento em que Gambon precisou do texto escrito para poder atuar, enquanto Bradley relembrou um episódio em que o ator se distraiu durante uma gravação importante. “Ele tinha um longo discurso cheio de informações, e Mike se atrapalhou algumas vezes”, contou Bradley.
Michael Gambon faleceu em 2023, aos 82 anos, após complicações de pneumonia. Com uma carreira notável no teatro e na televisão britânica, ele conquistou prêmios como o Olivier Award e o Bafta de televisão, além de ser condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II por seus serviços às artes dramáticas.



