A ex-Miss Suíça Beatrice Keul denunciou que foi estuprada por Donald Trump em novembro de 1993, no Hotel Plaza, em Nova York. A revelação foi feita nesta segunda-feira (26) e divulgada por membros democratas do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, que investiga possíveis ligações do presidente dos Estados Unidos com a rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein, falecido em 2019.
Segundo o depoimento de Keul, Trump, Epstein e outros usaram o concurso “Donald J. Trump American Dream Pageant” como um “campo de caça” para explorar jovens mulheres. Na época, Beatrice tinha 24 anos e trabalhava como modelo e profissional de serviços financeiros. Ela foi convidada a participar do concurso por Jill Harth, uma promotora de eventos.
Durante um almoço no Plaza Hotel, Trump teria prometido ajudar Keul a conseguir um visto e a ingressar na Universidade de Nova York. Epstein também se aproximou, fazendo promessas semelhantes, incluindo um convite para uma festa em Mar-a-Lago, na Flórida. Após essa conversa, um representante de Trump convidou Keul a subir para um quarto, onde, segundo sua acusação, o presidente a teria estuprado, causando ferimentos e hematomas em seu corpo.
Keul descreveu o ato como “brutal” e relatou que, após a agressão, Trump a fez prometer silêncio, afirmando: “O show deve continuar”. Depois do concurso, ela voltou para a Suíça e recusou um convite para participar de outro evento patrocinado por Trump no Havaí. Mesmo após o episódio, Trump teria tentado contatar Keul novamente, oferecendo a ajuda que havia prometido anteriormente, mas ela não demonstrou interesse.
O relatório do Comitê Judiciário também menciona outros depoimentos que corroboram as denúncias de Keul, incluindo um processo de agressão sexual movido por Harth contra Trump em 1997. Os democratas traçam paralelos entre as promessas feitas a Keul e relatos de outras mulheres que afirmam ter sido abordadas por Epstein com propostas de educação e oportunidades de carreira.
A Casa Branca se manifestou em resposta às alegações. A porta-voz Lauren Bis afirmou que as denúncias são falsas e uma tentativa de distrair a atenção pública das conquistas de Trump. “O presidente expulsou Jeffrey Epstein de seu clube em Mar-a-Lago porque ele era um crápula”, declarou Bis.
Essas novas acusações contra Trump ocorrem em um momento em que ele já enfrenta outras denúncias de abuso sexual, incluindo a de E. Jean Carroll, que o acusou de tê-la estuprado em uma loja de departamentos na década de 1990. Em maio de 2023, um júri civil considerou Trump culpado de abuso sexual contra Carroll, obrigando-o a pagar US$ 5,6 milhões em indenização. No entanto, Trump nunca foi preso ou acusado formalmente em relação às alegações de Keul.



