Um turista canadense, identificado como Mitchell Fairbarn, foi condenado após sequestrar um flamingo-chileno em Las Vegas, nos Estados Unidos. O incidente, que ocorreu em março, resultou em uma condenação por crueldade contra animais, com a possibilidade de até quatro anos de prisão.
O episódio foi revelado em detalhes pela Associated Press nesta quarta-feira (21). Fairbarn, que estava sob efeito de álcool, retirou a ave de um espaço destinado aos animais no Flamingo Las Vegas Hotel and Casino. As imagens do sistema de monitoramento do cassino mostram o canadense atravessando as dependências do hotel com o flamingo, até chegar ao seu quarto, passando inclusive por um elevador.
A ave, chamada Peachy e com 27 anos, sofreu lesões durante o sequestro. Após ser resgatada, a veterinária Tiffany Moore, responsável pelo Hospital Veterinário Lone Mountain, constatou que o flamingo apresentava ferimentos nas asas, vestígios de sangue na plumagem e havia perdido cerca de oito penas. Embora fisicamente recuperado, Peachy ainda demonstra sinais de nervosismo e ansiedade.
No tribunal, a acusação apresentou evidências que destacavam a violência da abordagem. Registros de vídeo mostraram Peachy gritando enquanto era segurado. A promotoria argumentou que a invasão ao habitat da ave comprometeu a segurança dos outros animais do local, incluindo peixes e tartarugas.
A defesa de Fairbarn não contestou a invasão, mas argumentou que o ato não visava prejudicar o flamingo. O advogado Josh Tomsheck atribuiu o comportamento imprudente de seu cliente ao consumo excessivo de álcool. “Ele não deveria ter feito aquilo. A verdade é que Mitch estava bêbado e tomou más decisões”, disse Tomsheck.
Durante o processo, também foram reveladas dificuldades enfrentadas por Fairbarn após o incidente. A promotora Haley Wilming informou que o canadense recebeu ameaças de morte e não pôde retornar ao Canadá, o que o impediu de comparecer ao funeral de seu pai. No entanto, Wilming enfatizou que essas circunstâncias não atenuam a responsabilidade do turista.
Os jurados decidiram pela condenação por duas acusações relacionadas a maus-tratos, sendo uma delas considerada crime grave. A sentença será anunciada em 1º de dezembro, e até lá, Fairbarn permanecerá sob custódia. O resultado foi bem recebido por ativistas de proteção animal, como John Waudby, que espera que a decisão alerte outros visitantes sobre o tratamento dos animais.



