Edimar Rocha Martins, de 49 anos, percorreu mais de 2 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, em busca de um relacionamento que acabou se revelando uma armadilha virtual. Ele conheceu a mulher por meio das redes sociais, onde a pretendente, identificada como Jéssica Oliveira ou Jessica Fazendeira, exibia uma vida de luxo e atraía seguidores com suas promessas de amor. No entanto, ao chegar ao destino, Edimar descobriu que as imagens da mulher eram geradas por Inteligência Artificial (IA).
“Eu vim em busca de uma felicidade, né? Eu tenho 49 anos, sou divorciado, saí sexta-feira de Imperatriz e cheguei aqui [a Belo Horizonte] domingo (11)”, relatou Edimar em entrevista ao g1, divulgada nesta terça-feira (13). A suposta Jéssica tinha mais de 300 mil seguidores e afirmava ser mãe de um filho, buscando um homem para compartilhar sua vida em uma fazenda.
Edimar se deixou levar pelas conversas animadas e pelas promessas de um encontro, mas ao tentar localizar alguém que conhecesse a mulher em Belo Horizonte, percebeu que havia sido enganado. “Mostrei várias fotos e ninguém conhecia essa pessoa. Então, eu me senti enganado”, lamentou.
A pretendente virtual, que se mostrava interessada em um relacionamento, chegou a oferecer pagar a passagem de Edimar e buscá-lo. Em mensagens, ela dizia: “Eu gosto de ajudar, mas eu quero você mesmo para mim. E estou querendo um rapaz macho.” Em outra, afirmava que arcaria com os custos dele: “Eu quero que você venha para eu te bancar. Não quero que você trabalhe, não. Eu gosto de te presentear com tudo, amor”.
Além das promessas de um amor ideal, a pretendente de IA insistia que Edimar poderia viver como “um rei” em sua fazenda, elevando ainda mais suas expectativas. “Eu estou falando sério, quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar para ficar só tranquilo em casa comigo”, dizia em um vídeo.
Após a desilusão, Edimar expressou sua preocupação com o uso da tecnologia de forma enganosa. Ele acredita que é necessário criar medidas legais para proteger pessoas de cair em fraudes semelhantes. “Isso aí é uma coisa que não era nem para existir. Era para uma lei botar em cima disso aí, que todo mundo é enganado. Qualquer um cai”, afirmou.
Devido à situação, Edimar precisou de assistência para retornar ao Tocantins, já que estava afastado do trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Um serviço municipal de assistência em Belo Horizonte o ajudou com alimentação e transporte, garantindo sua volta para Augustinópolis no dia 13 de outubro.



