A televisão aberta no Brasil, especialmente em relação à programação infantil, está se distanciando do público jovem, o que é considerado uma total irresponsabilidade, segundo especialistas. Apesar de alguns esforços isolados, como o recente especial da “TV Globinho” no “Criança Esperança”, que marcou 6 pontos de audiência na Grande São Paulo, a reação do público nas redes sociais não se traduziu em números significativos de audiência.
A situação se agrava com a legislação atual, que proíbe a publicidade dirigida às crianças, tornando difícil para as emissoras atrair esse público. Com isso, muitos jovens têm migrado para plataformas de streaming e redes sociais, criando novos hábitos que tornam cada vez mais desafiador reconquistar a audiência que cresceu longe da televisão.
Além disso, a falta de união entre as emissoras abertas tem contribuído para a crise. Cada canal parece focar apenas em seus interesses individuais, enquanto a concorrência entre eles se mantém acirrada. Tentativas de colaboração, como a do diretor Leandro Cipoloni, do SBT, para reunir as emissoras, não resultaram em avanços significativos.
Outro fator que impacta a programação é a recente Medida Provisória que restringiu a publicidade de apostas esportivas, afetando a receita de várias emissoras que dependiam desse financiamento. A Band, por exemplo, enfrenta dificuldades em sua programação esportiva, que estava baseada em ações de sites de apostas.
No cenário de mudanças, Marcelo Bechara deixará a diretoria de Relações Internacionais do Grupo Globo para ocupar a vice-presidência institucional do Itaú, um movimento que reflete as constantes transformações no setor de mídia. Bechara, reconhecido como uma referência em legislação de radiodifusão, sempre foi cogitado como sucessor de Paulo Tonet Camargo, que já expressou o desejo de se aposentar.
Com o anúncio esperado da Conmebol sobre as transmissões da Libertadores a partir do próximo ano, tanto a Paramount quanto a Globo esperam aproveitar essa oportunidade para revitalizar suas ofertas esportivas e atrair novamente o público.
Por fim, a Globo também planeja ações para promover o Mundial feminino de 2027 no Brasil, buscando engajar ex-atletas e artistas em uma campanha que visa aumentar a visibilidade e o interesse pelo evento.
Enquanto isso, a emissora se prepara para um “Big Brother” com um número recorde de ex-participantes, além de implementar uma nova oficina de autores, ressaltando a necessidade de promover adequadamente as produções que estão sendo realizadas.
Os desafios são grandes, mas a adaptação às novas demandas do público e a inovação na programação podem ser a chave para recuperar a audiência perdida e garantir a relevância da televisão aberta no cenário atual.



