No último domingo (11/10), Flamengo e Fluminense realizaram um protesto conjunto contra a Medida Provisória nº 1.394, conhecida como MP das Bets, durante o clássico no Maracanã. As equipes entraram em campo com a frase “proibir não é proteger” estampada nos uniformes, em referência à proibição da operação e publicidade do setor de apostas.
O protesto também se estendeu às arquibancadas, onde torcedores do Flamengo exibiram uma faixa com a mensagem: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra”, direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A MP das Bets, assinada por Lula no dia 25 de setembro, proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. Com isso, clubes como Flamengo e Fluminense, que mantinham contratos com empresas do setor, podem enfrentar perdas financeiras significativas. O Flamengo, por exemplo, tinha um contrato de patrocínio master até 2028, que poderia resultar em uma perda de até R$ 268,5 milhões por temporada. O Fluminense, por sua vez, recebia R$ 52 milhões anuais fixos, além de variáveis, até 2029.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, já havia comentado sobre a surpresa que a medida causou: “Foi uma medida provisória que pegou a gente de surpresa, foi do dia pra noite. A falta de previsibilidade nos prejudica bastante”, afirmou. Na última rodada, o Flamengo havia sido o único a exibir a frase de protesto no empate por 2 a 2 com o Santos, e mensagens contrárias à MP também apareceram em placas publicitárias em nove estádios.
De acordo com dados do Banco Central, o setor de apostas movimentava entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões mensalmente no Brasil, totalizando mais de R$ 400 bilhões desde a regulamentação do setor em 2023. A interrupção das operações das plataformas regulamentadas, que ocorreu em 6 de outubro, gerou reações negativas de empresas do setor, que alegam prejuízos com a implementação abrupta da legislação.



