O Campeonato Brasileiro retoma os jogos nesta quarta-feira, 7 de outubro, em um cenário marcado pela proibição das apostas esportivas, devido à Medida Provisória nº 1.394/2026. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá analisar um pedido de liminar que questiona a validade dessa medida, que determinou o fim das operações das plataformas de apostas autorizadas e proibiu a oferta e a publicidade dessas apostas no país.
A 29ª rodada do torneio começa com cinco partidas: Red Bull Bragantino enfrenta o Mirassol, Internacional joga contra o Corinthians, Remo recebe o Grêmio, Vitória enfrenta a Chapecoense, e Botafogo duela com o Vasco. Além disso, na quinta-feira, 8 de outubro, acontecem os jogos entre Santos e Flamengo, Athletico-PR e Atlético-MG, Fluminense e Coritiba, e Palmeiras contra Bahia.
Esta rodada marca a primeira vez que os clubes competirão sob as novas restrições da MP sobre as apostas. As plataformas autorizadas começaram a encerrar suas operações na terça-feira, 6 de outubro, e as marcas de apostas foram retiradas dos uniformes e materiais publicitários dos clubes. Essa mudança impacta diretamente os contratos de patrocínio, já que 13 dos 20 clubes da Série A tinham empresas de apostas como patrocinadoras principais, totalizando aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.
Frente a essa nova realidade, alguns clubes estão buscando alternativas. O São Paulo, por exemplo, usará uma marca alternativa relacionada ao mesmo grupo de sua antiga patrocinadora máster na partida contra o Cruzeiro. O Fluminense também adotará uma estratégia similar em seu jogo contra o Coritiba.
Enquanto os jogos acontecem, a expectativa gira em torno da decisão do STF. Fux é relator dos processos sobre a regulamentação do setor e recebeu solicitações da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) para suspender a MP. Essas entidades defendem a reabertura das apostas online, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) pede a manutenção da proibição, aguardando manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O mercado de apostas que foi desativado contava com 85 empresas autorizadas e gerou arrecadação significativa, com R$ 220,6 bilhões em depósitos de apostadores em 2025. No primeiro semestre de 2026, o setor registrou R$ 88,48 bilhões em depósitos.
Além disso, a interrupção das operações das plataformas autorizadas deu início ao processo de devolução dos valores aos usuários. Aproximadamente R$ 1,325 bilhão deve ser devolvido a cerca de 26,5 milhões de apostadores. As empresas têm até os dias 7 e 8 de outubro para informar os saldos remanescentes vinculados aos CPFs dos clientes.
Diante desse cenário, o futebol brasileiro retoma suas atividades sob novas regras, com clubes jogando sem as marcas de apostas que estavam presentes em grande parte dos uniformes. A decisão do STF sobre a MP poderá influenciar significativamente o futuro dos contratos comerciais entre os clubes e as casas de apostas.



